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15 dezembro 2017

Na hora das compras, foco no rótulo!

O que você leva em conta na hora de escolher o que entra ou não no seu carrinho do supermercado? A marca dos alimentos? O seu preço? Para a maioria dos brasileiros essas informações já são suficientes. Uma pesquisa recente encomendada pela Aliança de Controle do Tabagismo revelou que 48% dos consumidores do País não leem o rótulo dos produtos alimentícios, para conhecerem os seus ingredientes e a sua tabela nutricional. E entre os que o fazem, apenas 14% declaram entender o que estão lendo.

Pensando nesta dificuldade de compreensão, o Idec, Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, fez um manual com algumas dicas para esclarecer possíveis confusões na hora de decidir o que levar pra casa.

  1. Leia a lista de ingredientes. Evite alimentos que contenham açúcar ou sal entre os primeiros da lista e fuja daqueles que têm muitos ingredientes, com nomes que você não sabe o que significa (isso quer dizer que esse alimento tem grandes chances de ser ultraprocessado).

  1. Confira na parte de cima da tabela nutricional a que porção ela se refere. Nem sempre a porção indicada corresponde ao conteúdo total da embalagem. Muitas vezes as indicações nutricionais se referem a apenas uma colher de sopa ou a uma xícara do produto.
  1. Verifique as porcentagens de valor diário recomendado (%VD). Assim, já é possível saber se está ingerindo grande parte do que seria saudável consumir em um dia. Os quatro nutrientes que merecem mais atenção são: calorias, gordura saturada e sódio. A referência indicada é de 2.000 calorias – uma média de consumo recomendado para adultos saudáveis. Para crianças, por exemplo, o limite de ingestão diária de cada nutriente é muito menor, mas mesmo produtos com apelo infantil normalmente utilizam a mesma referência para o %VD. Para os nutrientes relacionados com doenças crônicas como sódio e gordura saturada, quanto maior for o %VD, menos saudável será o alimento. No caso das fibras, vale o contrário. Além disso, quando o %VD apresenta um asterisco (*), que informa que não há quantidade de referência para aquele nutriente – caso da gordura trans novamente–, não significa que a quantidade presente no produto seja insignificante. “Isso quer dizer apenas que o Ministério da Saúde não estabeleceu um limite diário para o consumo desses nutrientes e por isso não é possível calcular o valor recomendado”, informa a nutricionista do Idec, Ana Paula Bortoletto.

  1. Observe as quantidades de fibras, minerais e vitaminas. Mas seja crítico: um alimento que tenha vitaminas adicionadas, mas muitas calorias e gorduras, por exemplo, não é dos mais saudáveis. Sobre a gorduras trans, é bom esclarecer que nem sempre um produto cuja tabela nutricional indica ter “0” gordura trans realmente não tem esse nutriente. A legislação permite que sejam declarados como “0” teor de até 0,2 g de trans por porção. Para descobrir se há ou não, só checando a lista de ingredientes. “Se tiver gordura vegetal hidrogenada, por exemplo, certamente tem gordura trans”, afirma Ana Paula.

  1. Cheque o prazo de validade e a origem do produto.

Se as informações dos rótulos são valiosas para quem não tem nenhuma restrição alimentar, imagine para aqueles que possuem alergias imediatas e, entre tantas manifestações negativas, podem até morrer ao consumirem substâncias alergênicas ou produtos com traços dessas substâncias, ou seja, que tenham entrado em contato com elas de alguma forma. Estima-se que esse tipo grave de alergia afete menos de 10% da população global, cerca de 8% das crianças e 5% dos adultos. Mas um estudo realizado pela Universidade Northwestern, de Illinois, nos EUA, mostrou que o número de internações e consultas hospitalares decorrentes de crises alérgicas causadas por alimentos tem aumentado cerca de 30% ao ano. Este crescimento pode ser atribuído, entre muitos outros fatores, a uma grande variedade de componentes adicionados aos produtos alimentícios ultraprocessados e à dificuldade de identificar a sua presença neles. 

Esta é a preocupação dos membros da Campanha Põe no Rótulo, que no meio do ano passado conseguiu junto à Agência de Vigilância Sanitária uma determinação pela identificação de substâncias com potencial alergênico nas embalagens dos alimentos. A indústria alimentícia deve informar a presença de 17 ingredientes, que compõem uma lista da Anvisa, ítens como leite de vaca, trigo, ovo, amendoim e crustáceos. Além da sua presença ser informada, ela deve ser feita de forma clara, sem muitos sinônimos, e também deve constar um alerta quando houver traços deles. Parece que depois da lei a indústria tem feito a sua parte, mas nós precisamos fazer a nossa, prestar atenção ao que estamos consumindo ou oferecendo às nossas famílias.  

08 novembro 2017

Entidades alertam para falta de clareza em rótulos e propaganda enganosa de alimentos não saudáveis

RIO — A obesidade é uma das principais epidemias da atualidade, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). No ano passado, a doença atingiu mais de 650 milhões de pessoas no planeta. A prevalência de obesidade no Brasil aumentou quase cinco vezes entre os homens e mais do que duplicou entre as mulheres nos últimos 35 anos. Hoje, 57% da população brasileira tem excesso de peso. Diante deste cenário, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável está lançando nesta quarta-feira a campanha "Você tem o direito de saber o que come", que foca na relação entre o excesso de peso e o consumo de alimentos não saudáveis, chamados por especialistas de "alimentos ultraprocessados", estimulado por informações enganosas e pouco claras em seus rótulos.

O grande aumento na prevalência do excesso de peso é atribuído, sobretudo, a mudanças no padrão alimentar da população, destacando-se em particular a substituição de alimentos e preparações culinárias tradicionais dos brasileiros por produtos ultraprocessados e prontos para o consumo, como refrigerantes e outras bebidas açucaradas, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, sobremesas industrializadas etc. Apenas um a cada três adultos consome frutas, legumes e verduras regularmente. A substituição de almoço e jantar por lanches em sete ou mais vezes por semana por 14% dos brasileiros é outro indicador da diminuição da qualidade da alimentação no país. Tendência similar de aumento do consumo de alimentos ultraprocessados é observada entre adolescentes.
A campanha, desenvolvida pela Aliança, formada por instituições como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ACT Promoção da Saúde, Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), começa com a exibição de um vídeo, logo mais à noite, em horário nobre da TV, mostrando uma família que, ao consumir produtos ultraprocessados apresentados como saudáveis, se alimenta essencialmente de açúcar e gordura sem ter consciência disso. Em uma metáfora, o filme mostra os ingredientes em excesso de alguns produtos que consumimos em nosso cotidiano: da caixa de suco que se diz "natural" cai açúcar refinado; da caixa do bolo que se vende como "caseiro", sai um tablete de gordura.
 
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“Fizemos um "raio x" dos alimentos não saudáveis”, afirma Inês Rugani, professora da UERJ e membro da Abrasco, acrescentando que, por meio de imagens fortes e a apresentação das consequências de forma direta, o objetivo é sensibilizar os espectadores e evidenciar a falta de informação clara e o marketing enganoso nas embalagens que vendem produtos nutricionalmente pobres como se fossem benéficos para a saúde.
A campanha tem a intenção de alertar a população sobre as reais características nutricionais de produtos ultraprocessados, que não destacam em suas embalagens o excesso de ingredientes como sódio, açúcar e/ou gorduras, levando os consumidores a fazer escolhas não saudáveis. Também tem a intenção de mobilizar a sociedade a apoiar a adoção de rótulos mais claros e a restrição de propagandas enganosas sobre alimentos, especialmente aquelas direcionadas a crianças. Vale lembrar que encontra-se em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a revisão das normas de rotulagem nutricional. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável defende a adoção de uma rotulagem nutricional frontal de advertência inspirada no modelo do Chile, entre outras recomendações, conforme proposta apresentada à Agência pelo Idec e UFPR. Uma consulta pública deve ser aberta pela Anvisa até o final do ano para ampliar a discussão sobre esse tema e definir novas regras brasileiras de rotulagem nutricional.

Em uma escala maior, o movimento aponta que a responsabilidade pelo excesso de peso não pode ser atribuída apenas ao indivíduo, por não praticar atividade física e consumir calorias em excesso. Mas se justifica principalmente pela existência de um ambiente que estimula o consumo excessivo de produtos não saudáveis por meio de publicidade massiva e rótulos atrativos, porém enganosos. Segundo Ana Paula Bortoletto, líder do Programa de Alimentação Saudável do Idec, estudos recentes indicam que a obesidade e as doenças ocasionadas pelo excesso de peso estão entre os problemas de saúde mais graves do Brasil.
“Em pesquisa realizada para a campanha, os entrevistados ficaram surpresos ao serem informados sobre a quantidade de açúcares, gorduras e sódio presentes nos produtos exemplificados e em tantos outros anunciados como saudáveis. Para alguns, as informações foram novidade, o que demonstra a falta de informações claras sobre o que é comum na alimentação de muitas pessoas”, comenta a especialista.
Por meio do slogan "Você tem o direito de saber o que come", o público é convocado a cobrar políticas públicas para o aprimoramento da rotulagem de produtos ultraprocessados e destaca a importância do acesso à informação clara e adequada para escolhas alimentares mais saudáveis. Além da TV, a campanha será veiculada através de peças para rádio e para mídias impressa e digital.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/entidades-alertam-para-falta-de-clareza-em-rotulos-propaganda-enganosa-de-alimentos-nao-saudaveis-22015503#ixzz4xr9IrVE0 
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