Mostrando postagens com marcador agrotoxicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agrotoxicos. Mostrar todas as postagens

07 novembro 2017

Bicarbonato de sódio tira agrotóxicos de frutas, verduras e legumes?

Estudo norte-americano comparou três formas de lavar frutas, em especial a maçã, e comprovou que há um jeito ideal para fazer a limpeza
Estudo comprova forma mais eficaz de lavar frutas e verduras contra agrotóxicos (Foto: Bigstock)
Estudo comprova forma mais eficaz de lavar frutas e verduras contra agrotóxicos (Foto: Bigstock)
Lavar os alimentos, especialmente frutas e verduras, antes do consumo é essencial para a retirada de resíduos, micro-organismos e, principalmente, agrotóxicos que possam contaminar o ser humano. Um estudo norte-americano, divulgado pela revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry em outubro, comprovou qual é a substância secreta mais eficaz para fazer essa limpeza: bicarbonato de sódio.
Quando comparado a outros dois métodos de limpeza, usando só água de torneira ou alvejante da marca Clorox, a base de cloro, o bicarbonato de sódio se mostrou mais eficaz. Com 10 mg/ml do bicarbonato em uma solução aquosa, os pesquisadores perceberam que a mistura levava de 12 a 15 minutos para remover completamente qualquer resíduo de tiabendazol ou phosmet que estivessem na superfície da maçã. A fruta havia sido exposta ao pesticida previamente durante 24 horas.
O bicarbonato de sódio, no entanto, não teve a mesma ação para uma limpeza total e a maçã, por dentro, ainda continha pesticidas, de acordo com o estudo. Para fazer a análise, os pesquisadores usaram uma técnica de mapeamento chamado de SERS – Surface-enhanced Raman scattering, associada a uma cromatografia líquida e espectrometria de massa em tandem (LC–MS/MS).
“A efetividade geral do método em remover todo resíduo de pesticidas diminui na medida em que os pesticidas penetram na fruta. Para uma aplicação prática, lavar as maçãs com bicarbonato de sódio pode reduzir a maior parte das substâncias na superfície. Retirar a casca da fruta é o meio mais efetivo para remover os pesticidas que penetram no fruto. Isso, no entanto, faz com que se percam os componentes bioativos da fruta localizados na casca”, sugerem e alertam os pesquisadores no estudo.
Como ingerir menos agrotóxicos?
Algumas atitudes podem minimizar a exposição a resíduos de agrotóxicos, de acordo com informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira orientação do órgão é que o consumidor escolha alimentos rotulados com a identificação do produtor, o que pode ajudar no comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos produtos.
A segunda sugestão da agência é que se adquira alimentos orgânicos ou de sistemas agroecológicos, também os chamados alimentos de “época”, como as frutas de cada estação. Em média esses alimentos recebem uma carga menor de agroquímicos. Por exemplo, a uva é uma fruta do verão, enquanto o morango é do inverno. A carga de agroquímicos no morango, no verão, portanto, deve ser maior do que no inverno.
A Anvisa orienta ainda a imersão dos alimentos, durante 20 minutos, em uma mistura de água com hipoclorito de sódio (água sanitária), antes do consumo.
Ranking dos alimentos com mais pesticida
Dos alimentos que contêm maior quantidade de agrotóxicos, confira a lista dos top 10:
1º pimentão – 91,8% de pesticida
2º morango – 63,4%
3º pepino – 57,4%
4º alface – 54,2%
5º cenoura – 49,6%
6º abacaxi – 32,8%
7º beterraba – 32,6%
8º couve – 31,9%
9º mamão – 34,4%
10º tomate – 16,3%
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/bicarbonato-de-sodio-agrotoxicos/

Nicholas Vital: "A intoxicação nossa de cada dia"

A opinião de um JORNALISTA

Leiam a matéria

Os agrotóxicos se tornaram, nos últimos anos, os grandes vilões da alimentação saudável. Seja através do noticiário na TV ou de conselhos de “especialistas” no assunto, a história que chega à população é a de que os alimentos convencionais produzidos no Brasil estariam contaminados por resíduos de agroquímicos e que o consumo desses produtos estaria intoxicando, aos poucos, as pessoas.
A solução, portanto, seria consumir apenas produtos orgânicos, cultivados de forma rudimentar e teoricamente livres dessas substâncias. Aos olhos de um leigo, a história pode até fazer sentido, mas a ciência já provou há muito tempo que essa teoria não passa de uma falácia criada pelos defensores dos orgânicos para criar um clima de medo e fomentar as vendas dos produtos tidos como naturais.
Os químicos, de fato, causam medo às pessoas, o que ajuda a difundir os mitos. Não deveria ser assim, já que nós ingerimos substâncias químicas o tempo todo, seja através da água, do ar ou dos alimentos que consumimos diariamente — mesmo no caso dos que se alimentam exclusivamente de orgânicos.
É impossível levar uma vida livre de produtos químicos. Você, meu caro leitor, saiba que neste momento o seu corpo possui resíduos de mercúrio, arsênico, alumínio, zinco, chumbo, urânio e várias outras substâncias consideradas altamente tóxicas.
Mas, por estarem em níveis muito baixos ou combinadas com outras substâncias, não causam qualquer problema à saúde, mesmo a longo prazo. Isso prova que há, sim, níveis seguros para o consumo de substâncias químicas, mesmo as mais perigosas.
O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (Para), uma iniciativa da Anvisa com o objetivo de avaliar a qualidade dos alimentos vendidos no País em relação ao uso de pesticidas, talvez seja o principal responsável pelo atual clima de desconfiança em torno dos vegetais vendidos no Brasil.
Inspirado em projetos semelhantes desenvolvidos no exterior, o programa brasileiro de monitoramento foi lançado em 2001, mas só ganhou notoriedade quase uma década depois, ao despontar como fonte em centenas de reportagens sensacionalistas que denunciavam a suposta contaminação dos alimentos por resíduos de agroquímicos em todo o País.
Aí você me pergunta: mesmo em pequena quantidade, os resíduos de agrotóxicos encontrados nos alimentos não são perigosos? Eles não podem causar algum tipo de intoxicação nas pessoas?
A resposta é direta: na teoria, podem. Na prática, é quase impossível que isso aconteça. Isso porque a definição do Limite Máximo de Resíduos (LMR) nos alimentos é baseada em outro índice, a Ingestão Diária Aceitável, também conhecida como IDA, que é a quantidade de aditivos químicos que podem ser ingeridos todos os dias, por toda a vida, sem oferecer qualquer risco à saúde humana.
O cálculo da IDA é rigoroso e definido por órgãos internacionais. Para garantir que a ingestão de químicos seja totalmente segura, é utilizada como referência uma dose que comprovadamente não cause nenhum efeito adverso aos seres humanos, para posteriormente ainda ser reduzida em cem vezes.
O exemplo do pimentão, o grande vilão do Para e hoje símbolo de alimento intoxicado por agrotóxicos, nos ajuda a entender melhor como esse cálculo funciona na prática e os riscos envolvidos no consumo do vegetal.
Uma das substâncias químicas mais detectadas no pimentão, o clorpirifós é um inseticida cuja IDA é estipulada em 0,01 mg/kg de peso corporal. No caso de um homem de 85 quilos, portanto, a IDA é de 0,85 miligramas.
Já o LMR para o clorpirifós no pimentão é de 0,04 mg/kg, o que significa que seria necessário ingerir pouco mais de 21 quilos (0,85 dividido por 0,04) de pimentão “contaminado” por clorpirifós todos os dias, por toda a vida, para sofrer uma intoxicação — algo que, sejamos francos, nunca vai acontecer.
Mesmo supondo que uma pessoa de 85 kg consiga comer quase um quarto do seu peso corporal em pimentões em apenas 24 horas, essa experiência dificilmente passaria do primeiro dia, já que ele muito provavelmente teria problemas causados pela ingestão de outras substâncias presentes no produto, como o magnésio — elemento químico natural que aparece em uma proporção de 110 mg/kg do vegetal.
Em 20 quilos de pimentão, são nada menos do que 2.200 miligramas de magnésio, ou dez vezes mais do que a dose letal estimada para esse ingrediente — uma quantidade mais do que o suficiente para matar uma pessoa. Agora, me diga, quanto de pimentão você come diariamente? Entre os brasileiros, a média de consumo é de apenas 4,6 gramas por dia.
As pessoas se assustam ao ler as notícias sobre os resíduos de agrotóxicos nos alimentos, mas nem se dão conta de que consomem coisas muito piores todos os dias.
Assim como acontece com os pesticidas, a Anvisa também estabelece quantidades máximas de resíduos para outros elementos, alguns deles repugnantes, como insetos e pelos de ratos.
Se você tem o costume de tomar chá de hortelã, prepare-se para encontrar até trezentos fragmentos de insetos — com o limite de até cinco bichos inteiros — e mais dois fragmentos de pelos de roedor a cada 25 gramas do produto.
No ketchup e no molho de tomate, o limite estabelecido pela Anvisa é de dez fragmentos de insetos e mais um pelo de rato a cada 100 gramas. Mas isso os defensores dos orgânicos nunca vão te contar.
Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/opiniao/nicholas-vital-a-intoxicacao-nossa-de-cada-dia/314874/