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09 novembro 2017

O país dos agrotóxicos

Há em hortaliças e frutas resíduos de ingredientes ativos altamente prejudiciais à saúde


O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. Mais de dois terços dos alimentos produzidos no país estão contaminados por esses agentes, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de 2013. Ainda assim, são usados aqui diversos ingredientes ativos que já são proibidos em outras partes do mundo como EUA, União Europeia, China e Canadá.
A venda de agrotóxicos no país cresceu 288% (em dólares) entre 2000 e 2012, indicam os dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agropecuária (Sindag) divulgados no “Dossiê Abrasco: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva”. A tendência é que o uso desses insumos continue crescendo, já que o processo de produção agrícola — baseado na monocultura, que concentra a aplicação de cerca de 80% dos venenos agrícolas — é cada vez mais dependente deles.
As consequências do uso de insumos químicos sobre o meio ambiente e a saúde da população brasileira são muito graves, e incluem ameaças como alta toxicidade, risco de câncer e de desenvolvimento de doenças neurológicas.
A lei que trata do uso de agrotóxicos no Brasil é a 7.802, de 1989. Apesar de proibir o registro de produtos com características cancerígenas, ainda há algumas lacunas nessa legislação que acabam permitindo que produtos extremamente nocivos à saúde humana e ao meio ambiente ainda sejam utilizados.
O Programa de Avaliação de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), implementado anualmente pela Anvisa, tem constatado a presença em amostras de hortaliças e frutas de resíduos de ingredientes ativos altamente prejudiciais à saúde, inclusive alguns banidos em outros países.
O Decreto nº 4.074, de 2002, que regulamenta a lei, estabelece que os ministérios da Agricultura, da Saúde e do Meio Ambiente podem reavaliar o registro de agrotóxicos quando surgirem indícios da ocorrência de riscos que desaconselhem seu uso, mas esse processo tem-se revelado pouco eficiente.

Por isso, proponho um diálogo entre parlamentares, sociedade civil e a Anvisa para alcançar um acordo sobre a retirada desses princípios ativos presentes em agrotóxicos utilizados no Brasil e que já são proibidos no resto do mundo. Ao mesmo tempo, estabelecer um prazo para que saiam de circulação e viabilizar a autorização de seus substitutivos que tenham classes tóxicas inferiores. Um projeto de lei de minha autoria, 4412/12, tem o objetivo de banir 19 agrotóxicos e componentes que já não são mais tolerados em outros países e ainda são utilizados por aqui.
Defendo que, nestes casos, seja adotado o Princípio da Precaução, enunciado na Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992): “Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental”.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/o-pais-dos-agrotoxicos-22046384#ixzz4xxWnR7TR 
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07 novembro 2017

Bicarbonato de sódio tira agrotóxicos de frutas, verduras e legumes?

Estudo norte-americano comparou três formas de lavar frutas, em especial a maçã, e comprovou que há um jeito ideal para fazer a limpeza
Estudo comprova forma mais eficaz de lavar frutas e verduras contra agrotóxicos (Foto: Bigstock)
Estudo comprova forma mais eficaz de lavar frutas e verduras contra agrotóxicos (Foto: Bigstock)
Lavar os alimentos, especialmente frutas e verduras, antes do consumo é essencial para a retirada de resíduos, micro-organismos e, principalmente, agrotóxicos que possam contaminar o ser humano. Um estudo norte-americano, divulgado pela revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry em outubro, comprovou qual é a substância secreta mais eficaz para fazer essa limpeza: bicarbonato de sódio.
Quando comparado a outros dois métodos de limpeza, usando só água de torneira ou alvejante da marca Clorox, a base de cloro, o bicarbonato de sódio se mostrou mais eficaz. Com 10 mg/ml do bicarbonato em uma solução aquosa, os pesquisadores perceberam que a mistura levava de 12 a 15 minutos para remover completamente qualquer resíduo de tiabendazol ou phosmet que estivessem na superfície da maçã. A fruta havia sido exposta ao pesticida previamente durante 24 horas.
O bicarbonato de sódio, no entanto, não teve a mesma ação para uma limpeza total e a maçã, por dentro, ainda continha pesticidas, de acordo com o estudo. Para fazer a análise, os pesquisadores usaram uma técnica de mapeamento chamado de SERS – Surface-enhanced Raman scattering, associada a uma cromatografia líquida e espectrometria de massa em tandem (LC–MS/MS).
“A efetividade geral do método em remover todo resíduo de pesticidas diminui na medida em que os pesticidas penetram na fruta. Para uma aplicação prática, lavar as maçãs com bicarbonato de sódio pode reduzir a maior parte das substâncias na superfície. Retirar a casca da fruta é o meio mais efetivo para remover os pesticidas que penetram no fruto. Isso, no entanto, faz com que se percam os componentes bioativos da fruta localizados na casca”, sugerem e alertam os pesquisadores no estudo.
Como ingerir menos agrotóxicos?
Algumas atitudes podem minimizar a exposição a resíduos de agrotóxicos, de acordo com informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira orientação do órgão é que o consumidor escolha alimentos rotulados com a identificação do produtor, o que pode ajudar no comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos produtos.
A segunda sugestão da agência é que se adquira alimentos orgânicos ou de sistemas agroecológicos, também os chamados alimentos de “época”, como as frutas de cada estação. Em média esses alimentos recebem uma carga menor de agroquímicos. Por exemplo, a uva é uma fruta do verão, enquanto o morango é do inverno. A carga de agroquímicos no morango, no verão, portanto, deve ser maior do que no inverno.
A Anvisa orienta ainda a imersão dos alimentos, durante 20 minutos, em uma mistura de água com hipoclorito de sódio (água sanitária), antes do consumo.
Ranking dos alimentos com mais pesticida
Dos alimentos que contêm maior quantidade de agrotóxicos, confira a lista dos top 10:
1º pimentão – 91,8% de pesticida
2º morango – 63,4%
3º pepino – 57,4%
4º alface – 54,2%
5º cenoura – 49,6%
6º abacaxi – 32,8%
7º beterraba – 32,6%
8º couve – 31,9%
9º mamão – 34,4%
10º tomate – 16,3%
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/bicarbonato-de-sodio-agrotoxicos/

26 setembro 2017

Cresce a Procura por produtos organicos

Regimes Alimentares: guerra assimétrica contra a comida de verdade
A indústria de alimentos ultraprocessados contra os alimentos de tipo camponês, artesanal ou minimante agroindustrializados, dinamizador de economias locais e com fortes vínculos com a cultura nacional.
Os últimos escândalos operam com alto grau de corrupção, Anvisa e indústria, pois os agrotóxicos podem causar um prejuízo para a indústria.
A memória alimentar é decisiva nas escolhas alimentares. Os alimentos naturais que remetiam ao aconchego da mãe e da casa vovó vão perdendo espaço para os Grandes Lanchonetes, Supermercados, pizzarias, Lanches, açucarados produtos da indústria de snacks e doces.
A produção camponesa de que se fala é o mesmo alimento que essas famílias consomem. É uma forma de produção secular no Brasil, muitas receitas, inclusive, são milenares oriundas da culinária indígena, africana e europeia. A indústria de alimentos é nova, e carrega consigo inúmeros escândalos, desde campanhas de substituição de leite materno pelo leite em pó até os recentes escândalos envolvendo água oxigenada/soda/álcool no leite e carne adulterada.
A predileção por estes alimentos por parte de renomados chefs de cozinha de todo o Brasil não é apenas uma tendência, mas um atestado da qualidade dos produtos. Motivo de orgulho para os camponeses que labutam remando contra a maré.
A indústria alimentar padroniza alimentação e empobrece a experiência culinária, porém mais que isso, ameaça diretamente a Soberania Alimentar do país. Produz numa face a fome e na outra a obesidade e a subnutrição.
O campesinato e suas expressões organizativas, estes teimosos que defendem a Agroecologia, a Soberania Alimentar e a comida de verdade podem fazer pouco, além de resistir, sem o apoio da sociedade urbana.
É uma guerra assimétrica entre os regimes alimentares: um tem riqueza e poder e o outro não. A junção de chefs de cozinha com movimentos sociais ligados à agricultura-alimentação-saúde representa uma possibilidade de fortalecer a luta para reverter o quadro.
O Mundo se transformou e grandes cidades não possuem capacidade de alimentação camponesa e é a Nutricionista que trabalha nessa adequação de realidade moderna e a uma escolha alimentar mais coerente com o estilo de vida de nossa sociedade.
Apesar de tímidos em alguns supermercados, os produtos orgânicos estão ganhando a preferência de muitos consumidores. O Paraná é considerado maior produtor de alimentos orgânicos do País e o segundo Estado brasileiro com o maior número de propriedades certificadas para a produção de orgânicos. De acordo com o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), os paranaenses produzem 130 mil toneladas desses alimentos por ano.
Com a ampla divulgação na mídia sobre os efeitos maléficos dos agrotóxicos à saúde, a procura pelos orgânicos tem crescido cada vez mais e, com isso, os produtores têm ganhado força. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam que alguns produtos se destacam na quantidade de contaminação por agrotóxicos, como é o caso do pimentão e morango. Mas, outros ainda mais comuns no dia a dia dos brasileiros, como o arroz e o feijão, estão entre os 18 alimentos mais contaminados.
ESCOLHA CONSCIENTE
Lembrando os problemas causados também para os agricultores que manuseiam os produtos. As pessoas estão conhecendo mais sobre o assunto. No entanto, os preços hoje de hortaliças, verduras e frutas orgânicas são mais altos, já que a produção é mais trabalhosa. “É mais difícil porque é um serviço mais artesanal. A gente tem que preparar as caldas, tirar os matinhos com as mãos, porque não se usa veneno para matar os bichos.
A produtora agrícola afirmou que o mais difícil de produzir hoje é o tomate. “Tentamos outras vezes, não conseguimos e estamos tentando neste ano de novo”, ressaltou. O alimento está em 10.º lugar no ranking dos mais contaminados, realizado pela Anvisa.
Morango é o segundo produto mais contaminado por agrotóxicos

PROGRAMA DE INCENTIVO
Segundo informações da Agência Estadual de Notícias, o Paraná conta com 1.966 propriedades, (dados de 2016 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul. O bom desempenho é atribuído ao Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCO), o único programa público no País a orientar e capacitar os produtores, auditar e certificar a produção de alimentos orgânicos.
Desde 2013, 634 propriedades já receberam certificação. A iniciativa não favorece apenas o produtor que tem assistência técnica gratuita, mas também a população paranaense com acesso a alimentos mais saudáveis, produzidos sem agrotóxicos, hormônios ou transgênicos, levando em consideração o meio ambiente e a vida dos agricultores e seus familiares.