08 novembro 2017

Entidades alertam para falta de clareza em rótulos e propaganda enganosa de alimentos não saudáveis

RIO — A obesidade é uma das principais epidemias da atualidade, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). No ano passado, a doença atingiu mais de 650 milhões de pessoas no planeta. A prevalência de obesidade no Brasil aumentou quase cinco vezes entre os homens e mais do que duplicou entre as mulheres nos últimos 35 anos. Hoje, 57% da população brasileira tem excesso de peso. Diante deste cenário, a Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável está lançando nesta quarta-feira a campanha "Você tem o direito de saber o que come", que foca na relação entre o excesso de peso e o consumo de alimentos não saudáveis, chamados por especialistas de "alimentos ultraprocessados", estimulado por informações enganosas e pouco claras em seus rótulos.

O grande aumento na prevalência do excesso de peso é atribuído, sobretudo, a mudanças no padrão alimentar da população, destacando-se em particular a substituição de alimentos e preparações culinárias tradicionais dos brasileiros por produtos ultraprocessados e prontos para o consumo, como refrigerantes e outras bebidas açucaradas, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, sobremesas industrializadas etc. Apenas um a cada três adultos consome frutas, legumes e verduras regularmente. A substituição de almoço e jantar por lanches em sete ou mais vezes por semana por 14% dos brasileiros é outro indicador da diminuição da qualidade da alimentação no país. Tendência similar de aumento do consumo de alimentos ultraprocessados é observada entre adolescentes.
A campanha, desenvolvida pela Aliança, formada por instituições como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), ACT Promoção da Saúde, Associação Brasileira de Nutrição (Asbran) e Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), começa com a exibição de um vídeo, logo mais à noite, em horário nobre da TV, mostrando uma família que, ao consumir produtos ultraprocessados apresentados como saudáveis, se alimenta essencialmente de açúcar e gordura sem ter consciência disso. Em uma metáfora, o filme mostra os ingredientes em excesso de alguns produtos que consumimos em nosso cotidiano: da caixa de suco que se diz "natural" cai açúcar refinado; da caixa do bolo que se vende como "caseiro", sai um tablete de gordura.
 
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“Fizemos um "raio x" dos alimentos não saudáveis”, afirma Inês Rugani, professora da UERJ e membro da Abrasco, acrescentando que, por meio de imagens fortes e a apresentação das consequências de forma direta, o objetivo é sensibilizar os espectadores e evidenciar a falta de informação clara e o marketing enganoso nas embalagens que vendem produtos nutricionalmente pobres como se fossem benéficos para a saúde.
A campanha tem a intenção de alertar a população sobre as reais características nutricionais de produtos ultraprocessados, que não destacam em suas embalagens o excesso de ingredientes como sódio, açúcar e/ou gorduras, levando os consumidores a fazer escolhas não saudáveis. Também tem a intenção de mobilizar a sociedade a apoiar a adoção de rótulos mais claros e a restrição de propagandas enganosas sobre alimentos, especialmente aquelas direcionadas a crianças. Vale lembrar que encontra-se em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a revisão das normas de rotulagem nutricional. A Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável defende a adoção de uma rotulagem nutricional frontal de advertência inspirada no modelo do Chile, entre outras recomendações, conforme proposta apresentada à Agência pelo Idec e UFPR. Uma consulta pública deve ser aberta pela Anvisa até o final do ano para ampliar a discussão sobre esse tema e definir novas regras brasileiras de rotulagem nutricional.

Em uma escala maior, o movimento aponta que a responsabilidade pelo excesso de peso não pode ser atribuída apenas ao indivíduo, por não praticar atividade física e consumir calorias em excesso. Mas se justifica principalmente pela existência de um ambiente que estimula o consumo excessivo de produtos não saudáveis por meio de publicidade massiva e rótulos atrativos, porém enganosos. Segundo Ana Paula Bortoletto, líder do Programa de Alimentação Saudável do Idec, estudos recentes indicam que a obesidade e as doenças ocasionadas pelo excesso de peso estão entre os problemas de saúde mais graves do Brasil.
“Em pesquisa realizada para a campanha, os entrevistados ficaram surpresos ao serem informados sobre a quantidade de açúcares, gorduras e sódio presentes nos produtos exemplificados e em tantos outros anunciados como saudáveis. Para alguns, as informações foram novidade, o que demonstra a falta de informações claras sobre o que é comum na alimentação de muitas pessoas”, comenta a especialista.
Por meio do slogan "Você tem o direito de saber o que come", o público é convocado a cobrar políticas públicas para o aprimoramento da rotulagem de produtos ultraprocessados e destaca a importância do acesso à informação clara e adequada para escolhas alimentares mais saudáveis. Além da TV, a campanha será veiculada através de peças para rádio e para mídias impressa e digital.


Leia mais: https://oglobo.globo.com/economia/defesa-do-consumidor/entidades-alertam-para-falta-de-clareza-em-rotulos-propaganda-enganosa-de-alimentos-nao-saudaveis-22015503#ixzz4xr9IrVE0 
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Recuperado de infarto, o atleta pode correr, fazer triatlo ou crossfit?

Recomendação é de usar critérios médicos rigorosos na avaliação prévia, que deve ter consulta especializada, teste ergométrico com médico presente, exames de laboratório e ecocardiograma


ltimamente, atletas amadores com antecedentes de alguma doença cardiovascular procuram médicos de diferentes especialidades querendo participar de modalidades esportivas. Lembro sempre que apenas um médico pode fazer este diagnóstico, orientar o tratamento e avaliar os possíveis riscos dos exercícios para a saúde.
Tanto nas práticas esportivas como na necessária reabilitação após um evento cardiológico, nós contamos com a parceria obrigatória de profissionais da saúde que não são médicos. No último Congresso Brasileiro de Cardiologia, os médicos do esporte debateram uma situação frequente: a de decidir quando alguém que teve infarto do miocárdio e estando em boas condições na evolução clínica poderia praticar as modalidades esportivas de alto desgaste, como a maratona e outras corridas longas, triatlo, ciclismo, natação em mar aberto e etc. Como também se poderia praticar o crossfit, HIIT (treino intervalado de alta intensidade), como também o velho conhecido spinning e as lutas.
Corredor checa a frequência cardíaca no treino de corrida: médico cita os cuidados para o retorno ao esporte (Foto: iStock Getty Images)Corredor checa a frequência cardíaca no treino de corrida: médico cita os cuidados para o retorno ao esporte (Foto: iStock Getty Images)
Corredor checa a frequência cardíaca no treino de corrida: médico cita os cuidados para o retorno ao esporte (Foto: iStock Getty Images)
As conclusões foram duras e claras, recomendando usar critérios médicos rigorosos na avaliação prévia, que deve ser composta de consulta especializada, teste ergométrico com médico presente na sala do exame, exames de laboratório analisando o funcionamento dos vários sistemas do organismo e ecocardiograma. Se foi infarto, o médico deve rever os detalhes da cinecoronariografia e do tratamento em andamento e qual estado clínico atualizado antes de liberar a prática esportiva.
Coração de atleta: veja as recomendações médicas antes de sair treinando por aí (Foto: Getty Images)Coração de atleta: veja as recomendações médicas antes de sair treinando por aí (Foto: Getty Images)
Coração de atleta: veja as recomendações médicas antes de sair treinando por aí (Foto: Getty Images)
Outros detalhes são fundamentais, e o médico é que decidir a liberação deve conhecer a modalidade esportiva, os riscos próprios e o tipo de treinamento que será feito na academia. Pouca importância, lamentavelmente, se dá ao clima e ao local de determinada prova a ser feita, se na ocasião estará muito quente ou frio, entre outros cuidados. Isso é fundamental, pois eventos fatais já ocorreram em tais situações.
Outra recomendação séria é, se ocorrer um quadro de doença infecciosa, como uma gastroenterite, gripe ou outra doença aguda, o atleta não deve participar de provas esportivas ou praticar exercícios até a cura total. As modalidades de exercícios e esportes devem ser praticadas para a saúde e devem ter o organismo em perfeitas condições de saúde. No caso de crianças e gestantes, devem rigorosamente evitar essas modalidades mais intensas e na dúvida fale com seu médico. Idosos e mais jovens precisam sempre fazer a avaliação médica pré-participação.
*As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.
Fonte:https://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/recuperado-de-infarto-o-atleta-pode-correr-fazer-triatlo-ou-crossfit.ghtml

07 novembro 2017

Nova Rotulagem

Nova proposta de rotulagem de alimentos quer facilitar a compreensão dos consumidores

Indústrias alimentícias e de bebidas já entregaram o projeto à Anvisa

Orientação recorrente de nutricionistas e médicos, a leitura de rótulos dos alimentos nem sempre é uma
 tarefa fácil. Trazendo dados difíceis de compreender e variações nas indicações de quantidades nutricionais,
 muitas vezes os dados mais confundem do que auxiliam. Atentas à mudança nos hábitos alimentares de
 parte da população e à busca por mais informações sobre o que se consome, as indústrias alimentícias e de 
bebidas trabalham no desenvolvimento de um novo modelo de rotulagem. A proposta foi apresentada à
 imprensa em evento promovido pela Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia) em 
outubro.
Com base no que é feito lá fora e em revisões bibliográficas conduzidas pelo Núcleo de Estudos e 
Pesquisas em Alimentação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o setor entregou à 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o novo projeto, que visa atualizar o modelo atual,
 adotado há mais de 10 anos.

 Nossa rotulagem é antiga. Vejo pessoas buscando informações na internet, mas isso precisa estar no rótulo. 
E isso tem que ser claro e acessível — defendeu o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de 
Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (Abir), Alexandre Jobim. 
Na nova proposta, a ideia é trazer informações cruciais — e as mais procuradas — como calorias, sódio, 
gordura saturada e açúcares totais, para a parte frontal das embalagens. Além disso, esses dados vão seguir 
a linguagem universal das cores dos semáforos — verde, amarelo e vermelho — para indicar suas 
quantidades em uma porção (leia mais abaixo).
— Você só empodera o consumidor quando oferece informação. As cores na parte da frente do produto
ajudam na escolha — falou a diretora de Relações Institucionais da Abia, Daniella Cunha. 
Outra mudança preconizada pelas entidades diz respeito à tabela nutricional, que deve conter dados 
referentes a 100 gramas do produto, enquanto os dados por porção seriam opcionais. Na prática, isso
 facilitaria a comparação entre diferentes alimentos. Um exemplo foi apresentado pela nutricionista e 
membro da diretoria da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE) Vanderlí Marchiori, que 
comparou uma porção de coco a uma de macarrão.
— Hoje, uma das modas é o coco: em óleo, in natura etc. Mas em 100 gramas da fruta, temos 406 calorias
 e 42 gramas de gorduras totais. Se ele estivesse rotulado, eu como consumidora desinformada não 
compraria. Mas isso faz dele um alimento ruim? Não. Já o macarrão, tem 371 calorias e 1,3 gramas de
 gorduras totais.  O mais importante é que em alguns momentos a pessoa vai precisar de mais carboidrato
 e, em outros, mais gordura. Portanto, quanto mais clara e concisa estiver a rotulagem, melhor vai ser para 
quem procura informação.
Esse projeto já foi encaminhado à Anvisa, que fará, no próximo dia 9, um painel técnico para debater a 
sugestão de mudanças. Também está planejada pela Abia a realização de uma ampla pesquisa Ibope em
 âmbito nacional para ouvir o que é melhor e o que funciona com os consumidores. Não há uma data 
definida para aprovação ou não da proposta.

Como ficará:

Reprodução
Etiqueta ficará na parte da frente das embalagens
Na parte frontal do produto, serão exibidas as informações
 mais procuradas pelos consumidores: valor energético, 
açúcares totais, gordura saturada e sódio. Essas três últimas
 informações estarão coloridas indicando que, ao consumir o
 produto, o indivíduo estará próximo ou não de atingir a
 recomendação diária de consumo de tal nutriente. 
Verde: indica que o consumo está longe da recomendação 
diária do nutriente 
Amarelo: sugere atenção, pois o alimento já contém níveis mais próximos do total diário recomendado 
Vermelho: significa que, ao consumir apenas esse produto, a pessoa já está próxima de atingir o total 
recomendado, logo, deve-se evitar tal nutriente em outros alimentos .
Fonte: https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2017/11/nova-proposta-de-rotulagem-de-alimentos-quer-facilitar-a-compreensao-dos-consumidores-cj9hgf0ud0a2j01o6qqpvad5c.html

Bicarbonato de sódio tira agrotóxicos de frutas, verduras e legumes?

Estudo norte-americano comparou três formas de lavar frutas, em especial a maçã, e comprovou que há um jeito ideal para fazer a limpeza
Estudo comprova forma mais eficaz de lavar frutas e verduras contra agrotóxicos (Foto: Bigstock)
Estudo comprova forma mais eficaz de lavar frutas e verduras contra agrotóxicos (Foto: Bigstock)
Lavar os alimentos, especialmente frutas e verduras, antes do consumo é essencial para a retirada de resíduos, micro-organismos e, principalmente, agrotóxicos que possam contaminar o ser humano. Um estudo norte-americano, divulgado pela revista científica Journal of Agricultural and Food Chemistry em outubro, comprovou qual é a substância secreta mais eficaz para fazer essa limpeza: bicarbonato de sódio.
Quando comparado a outros dois métodos de limpeza, usando só água de torneira ou alvejante da marca Clorox, a base de cloro, o bicarbonato de sódio se mostrou mais eficaz. Com 10 mg/ml do bicarbonato em uma solução aquosa, os pesquisadores perceberam que a mistura levava de 12 a 15 minutos para remover completamente qualquer resíduo de tiabendazol ou phosmet que estivessem na superfície da maçã. A fruta havia sido exposta ao pesticida previamente durante 24 horas.
O bicarbonato de sódio, no entanto, não teve a mesma ação para uma limpeza total e a maçã, por dentro, ainda continha pesticidas, de acordo com o estudo. Para fazer a análise, os pesquisadores usaram uma técnica de mapeamento chamado de SERS – Surface-enhanced Raman scattering, associada a uma cromatografia líquida e espectrometria de massa em tandem (LC–MS/MS).
“A efetividade geral do método em remover todo resíduo de pesticidas diminui na medida em que os pesticidas penetram na fruta. Para uma aplicação prática, lavar as maçãs com bicarbonato de sódio pode reduzir a maior parte das substâncias na superfície. Retirar a casca da fruta é o meio mais efetivo para remover os pesticidas que penetram no fruto. Isso, no entanto, faz com que se percam os componentes bioativos da fruta localizados na casca”, sugerem e alertam os pesquisadores no estudo.
Como ingerir menos agrotóxicos?
Algumas atitudes podem minimizar a exposição a resíduos de agrotóxicos, de acordo com informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira orientação do órgão é que o consumidor escolha alimentos rotulados com a identificação do produtor, o que pode ajudar no comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos produtos.
A segunda sugestão da agência é que se adquira alimentos orgânicos ou de sistemas agroecológicos, também os chamados alimentos de “época”, como as frutas de cada estação. Em média esses alimentos recebem uma carga menor de agroquímicos. Por exemplo, a uva é uma fruta do verão, enquanto o morango é do inverno. A carga de agroquímicos no morango, no verão, portanto, deve ser maior do que no inverno.
A Anvisa orienta ainda a imersão dos alimentos, durante 20 minutos, em uma mistura de água com hipoclorito de sódio (água sanitária), antes do consumo.
Ranking dos alimentos com mais pesticida
Dos alimentos que contêm maior quantidade de agrotóxicos, confira a lista dos top 10:
1º pimentão – 91,8% de pesticida
2º morango – 63,4%
3º pepino – 57,4%
4º alface – 54,2%
5º cenoura – 49,6%
6º abacaxi – 32,8%
7º beterraba – 32,6%
8º couve – 31,9%
9º mamão – 34,4%
10º tomate – 16,3%
Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/saude-e-bem-estar/bicarbonato-de-sodio-agrotoxicos/

Nicholas Vital: "A intoxicação nossa de cada dia"

A opinião de um JORNALISTA

Leiam a matéria

Os agrotóxicos se tornaram, nos últimos anos, os grandes vilões da alimentação saudável. Seja através do noticiário na TV ou de conselhos de “especialistas” no assunto, a história que chega à população é a de que os alimentos convencionais produzidos no Brasil estariam contaminados por resíduos de agroquímicos e que o consumo desses produtos estaria intoxicando, aos poucos, as pessoas.
A solução, portanto, seria consumir apenas produtos orgânicos, cultivados de forma rudimentar e teoricamente livres dessas substâncias. Aos olhos de um leigo, a história pode até fazer sentido, mas a ciência já provou há muito tempo que essa teoria não passa de uma falácia criada pelos defensores dos orgânicos para criar um clima de medo e fomentar as vendas dos produtos tidos como naturais.
Os químicos, de fato, causam medo às pessoas, o que ajuda a difundir os mitos. Não deveria ser assim, já que nós ingerimos substâncias químicas o tempo todo, seja através da água, do ar ou dos alimentos que consumimos diariamente — mesmo no caso dos que se alimentam exclusivamente de orgânicos.
É impossível levar uma vida livre de produtos químicos. Você, meu caro leitor, saiba que neste momento o seu corpo possui resíduos de mercúrio, arsênico, alumínio, zinco, chumbo, urânio e várias outras substâncias consideradas altamente tóxicas.
Mas, por estarem em níveis muito baixos ou combinadas com outras substâncias, não causam qualquer problema à saúde, mesmo a longo prazo. Isso prova que há, sim, níveis seguros para o consumo de substâncias químicas, mesmo as mais perigosas.
O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos (Para), uma iniciativa da Anvisa com o objetivo de avaliar a qualidade dos alimentos vendidos no País em relação ao uso de pesticidas, talvez seja o principal responsável pelo atual clima de desconfiança em torno dos vegetais vendidos no Brasil.
Inspirado em projetos semelhantes desenvolvidos no exterior, o programa brasileiro de monitoramento foi lançado em 2001, mas só ganhou notoriedade quase uma década depois, ao despontar como fonte em centenas de reportagens sensacionalistas que denunciavam a suposta contaminação dos alimentos por resíduos de agroquímicos em todo o País.
Aí você me pergunta: mesmo em pequena quantidade, os resíduos de agrotóxicos encontrados nos alimentos não são perigosos? Eles não podem causar algum tipo de intoxicação nas pessoas?
A resposta é direta: na teoria, podem. Na prática, é quase impossível que isso aconteça. Isso porque a definição do Limite Máximo de Resíduos (LMR) nos alimentos é baseada em outro índice, a Ingestão Diária Aceitável, também conhecida como IDA, que é a quantidade de aditivos químicos que podem ser ingeridos todos os dias, por toda a vida, sem oferecer qualquer risco à saúde humana.
O cálculo da IDA é rigoroso e definido por órgãos internacionais. Para garantir que a ingestão de químicos seja totalmente segura, é utilizada como referência uma dose que comprovadamente não cause nenhum efeito adverso aos seres humanos, para posteriormente ainda ser reduzida em cem vezes.
O exemplo do pimentão, o grande vilão do Para e hoje símbolo de alimento intoxicado por agrotóxicos, nos ajuda a entender melhor como esse cálculo funciona na prática e os riscos envolvidos no consumo do vegetal.
Uma das substâncias químicas mais detectadas no pimentão, o clorpirifós é um inseticida cuja IDA é estipulada em 0,01 mg/kg de peso corporal. No caso de um homem de 85 quilos, portanto, a IDA é de 0,85 miligramas.
Já o LMR para o clorpirifós no pimentão é de 0,04 mg/kg, o que significa que seria necessário ingerir pouco mais de 21 quilos (0,85 dividido por 0,04) de pimentão “contaminado” por clorpirifós todos os dias, por toda a vida, para sofrer uma intoxicação — algo que, sejamos francos, nunca vai acontecer.
Mesmo supondo que uma pessoa de 85 kg consiga comer quase um quarto do seu peso corporal em pimentões em apenas 24 horas, essa experiência dificilmente passaria do primeiro dia, já que ele muito provavelmente teria problemas causados pela ingestão de outras substâncias presentes no produto, como o magnésio — elemento químico natural que aparece em uma proporção de 110 mg/kg do vegetal.
Em 20 quilos de pimentão, são nada menos do que 2.200 miligramas de magnésio, ou dez vezes mais do que a dose letal estimada para esse ingrediente — uma quantidade mais do que o suficiente para matar uma pessoa. Agora, me diga, quanto de pimentão você come diariamente? Entre os brasileiros, a média de consumo é de apenas 4,6 gramas por dia.
As pessoas se assustam ao ler as notícias sobre os resíduos de agrotóxicos nos alimentos, mas nem se dão conta de que consomem coisas muito piores todos os dias.
Assim como acontece com os pesticidas, a Anvisa também estabelece quantidades máximas de resíduos para outros elementos, alguns deles repugnantes, como insetos e pelos de ratos.
Se você tem o costume de tomar chá de hortelã, prepare-se para encontrar até trezentos fragmentos de insetos — com o limite de até cinco bichos inteiros — e mais dois fragmentos de pelos de roedor a cada 25 gramas do produto.
No ketchup e no molho de tomate, o limite estabelecido pela Anvisa é de dez fragmentos de insetos e mais um pelo de rato a cada 100 gramas. Mas isso os defensores dos orgânicos nunca vão te contar.
Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/opiniao/nicholas-vital-a-intoxicacao-nossa-de-cada-dia/314874/

Grupo de trabalho avalia propostas de design da nova rotulagem no país

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na próxima quinta, 8, um grupo de trabalho avalia propostas de novo design para rótulos nutricionais de alimentos para o país.
Ministério da Saúde, associações de indústrias e de consumidores e a Anvisa, órgão regulador, vão analisar exemplos de outros países e propostas encaminhadas pela Abia e pelo Idec.
Em dezembro, novo encontro estuda aplicações dos modelos. Depois disso, a Anvisa deve abrir consulta pública para escolher o sistema que seja melhor compreendido pela população. Em meados de 2018, o país pode ter um novo sistema de rotulagem aprovado, segundo acredita o Idec.
As principais normas de rotulagem, que tratam da rotulagem geral de alimentos embalados e da rotulagem nutricional, foram publicadas há cerca de 15 anos. De lá para cá, mudaram a oferta de produtos e os padrões alimentares.
Aumentou a variedade de alimentos industrializados, a complexidade dos ingredientes, com elevadas quantidades de sódio, açúcar e gorduras saturadas e trans. Também cresceram as taxas de sobrepeso e obesidade na população brasileira.
A revisão da rotulagem nutricional passou a ser formalmente discutida na Anvisa em 2014, com a criação de um grupo de trabalho composto por diversos órgãos e instituições, através da portaria nº 949. Entre 2014 e 2016, o grupo se reuniu para identificar falhas e limitações do modelo atual e propor alternativas.
Foram identificados problemas "no formato e na legibilidade das informações, tamanho de letra pequeno, localização inadequada de informações importantes, como o teor nutricional dos principais nutrientes, linguagem técnica e matemática e formato pouco atrativo da tabela de informação nutricional atual", afirma a gerente geral de alimentos da Anvisa, Thalita Antony de Souza Lima.
Segundo ela, também foram destacados como negativos a declaração da composição baseada em porções, por dificultar comparação entre alimentos, e por permitir a alteração intencional do tamanho das porções para evitar a declaração de determinados nutrientes.
Nesse período de dois anos, a Anvisa também desenvolveu estudos com pesquisadores e o CNPq, para comparar efeitos de diferentes modelos de rotulagem nutricional internacionais na percepção, na compreensão e no uso para escolhas alimentares mais saudáveis pelo consumidor.
Segundo Thalita, as mudanças a serem feitas nos modelos de rotulagem "visam reduzir o excesso de informações técnicas" e proporcionar comunicação "mais clara, precisa e compreensível aos consumidores".
O objetivo é que essas informações possam ser utilizadas nas condições habituais de compra e que contribuam "para a proteção da saúde e a promoção de uma alimentação adequada e saudável".
"O novo modelo de rotulagem deve ser estabelecido com o objetivo de auxiliar os consumidores na realização de escolhas alimentares conscientes, estimular a formulação de alimentos com base em princípios científicos que sejam capazes de beneficiar a saúde pública e evitar a descrição nutricional enganosa do produto", diz.
Segundo ela, modelos menos numéricos e mais qualitativos, que utilizam símbolos ou cores têm sido apontados em pesquisas internacionais como mais compreensíveis.
"O modelo chileno é inovador e foi acompanhado por diversas ações além da rotulagem nutricional frontal, como a restrição da publicidade infantil e da oferta de determinados alimentos em cantinas escolares", conta a gestora da Anvisa.
É um modelo baseado em sistemas de nutrientes, que obriga a declaração no painel frontal do rótulo, da frase "Alto em", para açúcares, sódio, calorias e gorduras saturadas, em octógonos com fundos pretos e a frase de advertência na cor branca.
"Alguns estudos também indicam que esse modelo, baseado em octógonos, de cor preta e declarados no painel frontal, é capaz de chamar a atenção dos consumidores, mesmo na presença de outras informações publicitárias no rótulo, e permitir uma análise mais apurada da real qualidade nutricional do produto", diz.
"Por outro lado, há muitas críticas do setor produtivo a este modelo, alegando que os critérios nutricionais aplicados para classificar um alimento como alto conteúdo são muito rígidos", observa.
Entre os modelos avaliados estão também o equatoriano, conhecido como semáforo nutricional, e o modelo do Reino Unido, que mescla sistema numérico com as cores do semáforo e, mais recentemente, o modelo da França, que utiliza as letras de A a E em diversas cores.
"Cada modelo tem seus prós e contras. O próprio Codex Alimentarius, organismo da FAO e OMS que estabelece as regras para o comércio internacional, define diretrizes gerais, reconhecendo que existem diversas formas para a apresentação dessas informações de acordo com as necessidades de cada país", afirma.
"Uma das principais preocupações da Agência é que o modelo brasileiro seja efetivo na comunicação com o consumidor, mas respeitando as características educacionais e sociais da população brasileira", finaliza.
Fonte: Folhapress